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Quem bombardeou Misurata?

31/05/2011

Quem bombardeou Misurata?

Posted: 30 May 2011 01:30 PM PDT  (no blog Informação incorreta)

Misurata, Abril de 2011

No dia 11 de Abril de 2001 houve um bombardeamento na cidade líbia de Misurata. O bombardeio de Misurata

No seguinte 15 do mesmo mês, durante o dia, foram mostradas aos homens da Human Rights Watch (HRW) e a CJ Chivers, uma repórter do New York Times, algumas sub-munições duma bomba de fragmentação modelo MAT-120.

Na parte da tarde, durante os confrontos entre rebeldes e forças legalistas, o pessoal de Human Rights Watch testemunhou a queda dum grupo de 3 ou 4 bombas nas áreas residenciais de Misurata. HRW tem observado os efeitos dos bombardeios.

Nestes ataques, alguns civis foram mortos e ao Alto Comissário para os Direitos Humanos, Navi Pillay, condenou “o uso repetido de bombas de fragmentação e armas pesadas por parte do governo líbio na tentativa de recuperar o controle da cidade cercada. ”

Também informou que uma bomba de fragmentação poderia ter explodido a poucas centenas de metros do hospital em Misurata, onde dois pacientes pareciam ter sido atingidos por projeteis de morteiros e de franco-atiradores:

Utilizar armas imprecisas como são as bombas de fragmentação, os lançadores múltiplos de foguetes, morteiros e outras armas pesadas em densas áreas urbanas, inevitavelmente provoca o ferimento de civis.

HRW e o repórter C.J. Chivers atribuíram de imediato esses ataques ao regime de Khadafi e a notícia ocupou as primeiras páginas dos jornais e dos telejornais de todo o Mundo.

As armas da Nato

Mas há um problema: as munições encontradas faziam parte do arsenal da Nato. Como é que foram utilizadas pelas forças da Líbia?
Eis a explicação de Fred Abrahams, pesquisador sénior de Human Rights:

Para disparar um MAT-120 é preciso um morteiro e a NATO não tem tropas no solo.

De facto, o armamento MAT-120 é lançada a partir dum morteiro; mas não é obrigatório que este esteja em terra: pode ser disparado a partir do mar.
Na seguinte imagem é possível observar um CB (Combat Boat) 90H com morteiro, neste caso da Marinha Militar da Suécia:

A combinação do MAT-120 com o CB 90H é considerada ideal para o apoio de fogo no meio urbano e é o único dos sistemas de armas da Nato que pode ser usado nessas operações.

Como relatado em Junho de 2007 pelo Capitão Evin H. Thompson, comandante do Grupo Especial de Combate Naval Four, em relação à questão específica sobre o uso da combinação CB 90H e sistema AMOS (que dispara as munições MAT-120):

O AMOS ou sistemas similares, instalados em barcos pequenos, oferecem a possibilidade de estar num lugar de forma clandestina e de agir se as circunstâncias permitirem.

O Special Warfare Combatant-craft Crewmen (Pelotão Especial de Soldados de Combate), do Grupo Especial da Marinha dos EUA, é especificamente treinado para ataques noturnos, suporte para as unidades Selas em águas costeiras e também possui uma frota de CB 90H.

Isso demonstra que foram as forças da Nato a bombardear Misurata?
Obviamente não.

A Nato admite
MAT-120

Mas a Nato já admitiu ter bombardeado Misurata.

Durante o período em que essas armas foram usadas, estava em curso uma feroz batalha entre os rebeldes e as forças lealistas, enquanto as forças da coligação forneciam apoio de fogo e outros serviços especiais aos rebeldes.

A Nato admitiu ter bombardeado na ocasião com “algumas armas” utilizadas dentro da cidade.

Não só. Mas se a Nato afirma não ter utilizado os mortíferos MAT-120, e admitindo que os rebeldes não tivessem os sistemas necessários para disparar tais munições, sobra uma questão: como é que a Líbia utiliza armas da Nato?

Para explicar este “pormenor” eis que aparece uma notícia: as MAT-120 foram vendidos aos Líbios pelo produtor espanhol de tais armas, a empresa Instalaza.

Problema: a Instalaza nega ter vendido tais armas ao governo líbio.

A venda não efectuada

Além disso, as MAT-120 encontradas em Misurata pertenciam aos lotes 02/07 e 03/07, isso é, tinham sido fabricadas ao longo do ano 2007, nem antes nem depois.

Mas em 2007 a Espanha não vendeu munições deste tipo à Líbia. Neste link é possível encontrar o documento do Governo Espanhol (em Inglês e Pdf, o mesmo que podem observar na imagem ao lado) que mostra como em 2007 e 2008 não foram exportadas munições de tipo MAT-120. Que, lembramos, não são consideradas “bombas” mas “munições”.

E desde 2008, o governo espanhol interrompeu as licenças para as exportações de armas.

Então quem disparou munições da Nato, as MAT-120, contra Misurata?
Se não foram os Líbios, foi talvez um outro País que recusou assinar a Convenção Internacional contra as Bombas de Fragmentação?

Fragmentação? Sim, é um prazer
Misurata, Abril de 2011

O Secretário da Defesa, Robert Gates, disse que as bombas de fragmentação são consideradas pelos Estados Unidos “armas legítimas e com clara utilidade militar”.

De facto, o Secretário Gates assinou no dia 9 de Julho de 2008 uma especifica pela qual todas as bombas de fragmentação no arsenal dos EUA devem ser dum tipo semelhante a MAT-120 entre o ano 2018.

Richard Kidd, Diretor do Departamento de Estado de Redução e Remoção das Armas, escreveu em 28 de Abril de 2008:

As armas de fragmentação são armas presentes no inventário dos EUA, estão disponíveis para a utilização de qualquer aeronave de combate, são parte integrante de cada elemento de manobra do Exército ou da Marinha e, em alguns casos, constituem mais de 50 por cento do apoio táctico ao fogo indireto.

Greetings from Washington.

Resumo
Resumindo: temos uma cidade líbia bombardeada, com civis mortos ou feridos.
O bombardeamento foi efectuado, segundo os media ocidentais, por um exército que utiliza armas do arsenal da Nato, armas que não foram vendidas à Líbia.

Se a Onu fosse uma coisa séria, nesta altura já haveria um inquérito.
Se a Onu fosse uma coisa séria.

Ipse dixit.

Fontes: Global Research, Human Rights, Navyseals.

http://informacaoincorrecta.blogspot.com/2011/05/quem-bombardeou-misurata.html
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  1. eia permalink
    09/06/2011 11:57

    Resta apenas dizer que o mat-120 tem um alcance de apenas 5-6 Km (uma distância equivalente a cerca de metade do comprimento da ponte Vasco da Gama). Nenhum navio de combate se encontra tão perto da costa num teatro de guerra, isso seria suicídio.

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