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A NATO e a importância geoestratégica dos Açores

04/04/2011

Mota Amaral, Medeiros Ferreira e Carlos Amaral analisam reunião da NATO: Situação geoestratégica dos Açores “está sempre latente e é essencial” na movimentação da NATO

01 Abril 2011 [Regional]

Mota Amaral, Medeiros Ferreira e Carlos Amaral comungam da opinião de que a reunião da comissão parlamentar da NATO que se realiza amanhã em Ponta Delgada acontece num momento em que a importância geoestratégica dos Açores está reforçada pela tensão que se vive no Médio Oriente. A posição geoestratégica dos Açores é “essencial” para a NATO, diz Mota Amaral. “A importância geoestratégica dos Açores está sempre latente”, considera, por sua vez, Medeiros Ferreira que vai lançar agora um livro na Região intitulado ‘Os Açores na Política internacional’. Já Carlos Amaral não têm dúvidas: Sem a Região, do Ocidente não se chega como sucede agora, em termos de rapidez e carga, ao Médio Oriente.

Correio dos Açores – Qual a relevância que dá à reunião dos parlamentares da NATO em Ponta Delgada?

João Bosco Mota Amaral (deputado do PSD/Açores à Assembleia da República) – Esta reunião é sempre muito bem-vinda. Os Açores são uma peça fulcral da estratégia da NATO ao nível da sua posição geográfica e relevância geoestratégica. A presença dos parlamentares da NATO sublinha estas realidades e, portanto, valoriza a Região Autónoma dos Açores.

É pura coincidência a tensão no Médio Oriente com a realização da reunião dos parlamentares da NATO em Ponta Delgada?

Não sei se haverá alguma ligação. Não estive nos antecedentes à realização desta reunião. De qualquer modo, o certo é que, em relação ao Médio Oriente, o tempo tem comprovado que os Açores são também o elemento de ligação essencial.

Medeiros Ferreira: Importância dos Açores “está mais evidente”

Correio dos Açores – Que importância dá à reunião da NATO em Ponta Delgada?

José Medeiros Ferreira (ex-Ministro dos Negócios Estrangeiros e autor do livro ‘Os Açores na Política internacional’ que vai ser lançado em breve em Ponta Delgada, Angra do Heroísmo e Horta) – A reunião em Ponta Delgada só revela a importância que os Açores continuam a ter na geoestratégia do Atlântico e na situação internacional em geral.

A tensão no Médio Oriente reforça a importância dos Açores?

Sempre que há conflitos na zona que vai da África do Norte até ao Médio Oriente, a importância dos Açores acentua-se e torna-se mais evidente, embora ela esteja sempre lá. As crises apenas revelam a sua importância.

Não comunga da opinião de que a posição geoestratégica dos Açores decaiu nos últimos tempos…
Nunca fiz minha esta tese. Acho que é uma tese que não olha para o longo curso e que confunde os tempos de rotina com a eternidade. Nós sabemos que não é assim.
A importância estratégica dos Açores está sempre latente.

Será por acaso a realização de uma reunião do Comité da NATO em Ponta Delgada ou terá a ver com a evolução da situação de conflito, por exemplo, no Líbano?

Normalmente, estas reuniões levam tempo a ser preparadas. Com certeza que foi decidida esta reunião a devido tempo. Mas, volto a repetir, não estou, neste momento, ao corrente deste processo.

Vai lançar, em breve, na Região, o livro ‘Os Açores na Política internacional’. É um livro que foca a relevância estratégica dos Açores…
Pois foca esta importância em todos os seus capítulos, embora acentuando no último capítulo a importância dos Açores como plataforma geo-científica e tecnológica. Esta é a nova dimensão da importância estratégica dos Açores

E esta nova dimensão vai dar-se em que termos?

Tem a ver, no fundo, com o desenvolvimento científico nos Açores, o próprio DOP – Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores, a estação de rastreio em Santa Maria, a estação de rastreio de actividade nuclear na Graciosa. Tudo isso está no último capítulo do livro.

Carlos Amaral: “Centralidade Atlântica reforçada”

Correio dos Açores – que importância atribui a este encontro NATO?

Carlos Amaral (responsável pelo Centro de Estudos Estratégicos da Universidade dos Açores) – Esta reunião reforça a nossa centralidade e a importância da centralidade atlântica do arquipélago se reveste para a comunidade atlântica e vem mais uma vez sublinhar como nós somos importantes para a Aliança Atlântica.

É casual o facto de esta reunião se realizar em Ponta Delgada num momento de tensão no Médio Oriente?
Casualidade não existe. Nada acontece por acaso. As coisas acontecem os eventos organizam-se, as iniciativas tomam-se por razões concretas que, ora são mencionadas expressamente, ora não são. Não é por acaso que eles aqui vêm nem é por acaso que aqui vêm neste momento de profunda instabilidade.

Sempre que há tensão no Médio Oriente, os Açores valorizam-se…
…Isto porque o acesso ao Médio Oriente se faz pelos Açores. É tão simples quanto isto. Não é possível chegar lá por outra via, pelo menos com as tecnologias que dispomos.

Acha que os americanos já estão a utilizar os Açores no acesso à Líbia?

É o mais provável. Os Açores continuam a ser absolutamente essências para o acesso do Ocidente ao Norte de África e ao Médio Oriente. É possível chegar lá sem ser através dos Açores. Mas não é possível chegar lá nas condições em que é possível através dos Açores, designadamente em termos de rapidez e de carga.

Autor: João Paz

Fonte: Correio dos Açores

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