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Após o veto dos EUA: Palestinianos recorrem à Assembleia Geral da ONU

20/02/2011

Hipocrisia! Enquanto falam de democracia para o mundo árabe, os EUA negam os direitos democráticos aos palestinianos, para proteger a sua fortaleza israelita

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Após o veto dos EUA: Palestinianos recorrem à Assembleia Geral da ONU

publicado 18:29 19 fevereiro ’11 *

O presidente palestiniano Mahmud Abbas, ontem em Ramallah com manifestantes que apoiavam a decisão de manter a proposta ao Conselho de Segurança Thaer Ganaim, Epa A Autoridade Palestiniana manifestou hoje a sua determinação de recorrer à Assembleia Geral da ONU, para aí ver aprovada a resolução que o veto solitário norte-americano “chumbou” no Conselho de Segurança, contra a posição de todos os restantes membros daquele órgão.

Palestinianos recorrem à Assembleia Geral da ONU 0 twitter Segundo Yasser Abed Rabbo, secretário geral do comité executivo da Organização de Libertaçãso da Palestina (OLP), “a nossa decisaõ hoje é de ir à Assembleia Geral das Nações Unidas para que ela adopte uma resolução condenando a colonização e afirmando o seu carácter ilegal, antes de regressar ao Conselho de Segurança para apresentar um projecto condenando a colonização”. E acrescentou, segundo citação da Agência France Press (AFP): “O veto americano não nos impedirá de nos dirigirmos às instituições internacionais e não inibirá a nossa vontade de luta pela independência”.

Também o Hamas condenou o veto norte-americano como “decisão arbitrária e escandalosa contra o povo palestiniano”. Fawzi Barhoum, um porta-voz daquele movimento na Faixa de Gaza, igualmente citado pela AFP, considerou que esse veto “confirma o fracasso dos que apostaram num acordo de paz” e apelou a que estes adoptem “uma estratégia de unidade nacional e que ponham fim a qualquer a forma de negociação com o ocupante”.

A reacção israelita, pelo contrário, foi de alívio e satisfação, tendo o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu agradecido publicamente ao presidente Barack Obama, através de um comunicado do seu gabinete. Segundo esse documento, “a decisão hoje tomada pelos Estados Unidos prova que o único caminho para a paz passa por negociações directas e não pela intermediação de decisões de organizações internacionais”.

Obama a Abbas: 50 minutos de ameaças telefónicas

Mas o agradecimento israelita será insuficiente para dissipar o amargo de boca com que a diplomacia norte-americana decidiu este veto. Com efeito, tratava-se do primeiro veto da Administração Obama, sendo que o recurso a esse meio extremo é uma confissão de diálogo fracassado e evoca reminiscências da diplomacia de canhoneira, mais modernamente apodada de “unilateralismo” da era Bush.

Desde o ano 2000, registaram-se 14 vetos no Conselho de Segurança, 10 dos quais norte-americanos. Desses 10 vetos, nove destinaram-se a proteger Israel contra resoluções que condenavam um ou outro aspecto da sua política.

Neste caso, verificou-se ainda por cima a agravante, nem sempre presente, de os EUA terem vetado absolutamente sós uma resolução proposta pelos países da Liga Árabe que teve todos os outros votos do Conselho de Segurança a seu favor, sem que algum dos países membros introduzisse sequer o matiz da abstenção.

E torna-se evidente que o caso não ficou encerrado quando a Autoridade Palestiniana anuncia a sua intenção de submeter o assunto à Assembleia Geral da ONU e de, em seguida, trazê-lo novamente ao Conselho de Segurança. Também os países da União Europeia, normalmente pró-israelitas na sua política externa, deram sinais de poderem acompanhar outros passos da diplomacia árabe, ao manifestarem o desejo de acolher um Estado palestiniano como membro da ONU até setembro deste ano.

Não surpreende portanto que Barack Obama tenha evitado a todo o transe ser confrontado com a resolução, para se poupar ao uso da “bomba atómica” dos procedimentos da ONU que constitui o exercício do direito de veto. Com esse objectivo esteve na quinta feira, segundo a Al Jazeera, mais de 50 minutos ao telefone com o presidente palestiniano Mahmud Abbas, para convencê-lo a substituir a resolução por uma mera declaração e tê-lo-á ameaçado de tais retaliações que Abbas submeteu essa pretensão de Obama ao comité executivo da OLP – em vão.

Embaixadora dos EUA: colonatos são uma “loucura”

A embaixadora dos EUA na ONU, Susan Rice, reflectiu o desconforto da Administração Obama perante a resolução árabe, ao reconhecer, segundo citação da Al Jazeera, “a loucura e ilegitimidade da persistente acitvidade de colonização israelita”, ressalvando embora que “achamos imprudente este Conselho tentar resolver as questões centrais que separam israelitas e palestinianos”. Rice tentou, mesmo assim, argumentar que o veto norte-americano “não deve ser tomado por um apoio à actividade de colonização”.

Mas é sem dúvida como tal que a grande maioria dos actores da política internacional toma este veto. O projecto de resolução, patrocinado por cerca de 130 países, afirmava que “os colonatos israelitas estabelecidos nos territórios palestinianos ocupados desde 1967, incluindo Jerusalém Oriental, são ilegais e constituem um obstáculo importante ao êxito de uma paz justa, duradopura e global”. O embaixador britânico na ONU, Mark Lyall Grant, ao votar favoravelmente o projecto, sublinhou que os colonatos “são ilegais à luz da lei internacional”

Também a Human Rights Watch condenou o veto norte-americano pela voz de Sarah Leah Whitson, sua directora para o Médio Oriente e Norte de África: “O presidente Obama quer dizer ao mundo árabe nos seus discursos que se opõe à colonização, mas recusa deixar o Conselho de Segurança dizer a Israel, de forma imperiosa, que trave essa colonização”.

Especialmente aguardada era a reacção egípcia, tida como indicador de uma política externa em mutação, num país em que a ditadura de Mubarak tinha garantido durante três décadas uma interlocução com Israel excepcional no mundo árabe. E também daí veio a voz crítica do Ministério dos Negócios Estrangeiros, afirmando em comunicado, segundo citação da mesma AFP, que o veto “contradiz as declarações americanas rejeitando a política de colonização e limitará ainda mais a credibilidade dos Estados Unidos como mediadores dos esforços de paz”.

http://tv1.rtp.pt/noticias/?t=Palestinianos-recorrem-a-Assembleia-Geral-da-ONU.rtp&article=417697&visual=3&layout=10&tm=7

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