Marlène Tuininga acerca da NATO e da Contra-Cimeira de Lisboa
NATO: uma ameaça à paz
Marlène Tuininga, representante da Ligue Internationale des Femmes pour la Paix et la Liberté
Será que realmente precisamos de nos defender? Para que nos serve o ministério e a indústria da defesa e as forças armadas? Defende-nos contra que inimigo? E com que meios? Não nos estamos a enganar a nós próprios?
Estas são algumas das perguntas idiotas e perturbadoras com que me defrontei quando participei, de 19 a 21 de Novembro do ano passado, na contra cimeira da NATO em Lisboa. O evento, que teve uma pequena audiência (centenas de activistas internacionais foram rejeitados nas fronteiras Português), passou quase despercebido pelos media. Embora os televisores tenham continuamente disseminado as belas palavras e as circunvoluções dos líderes mundiais reunidos, na Expo, em cimeira oficial.
A “Organização do Tratado do Atlântico Norte” [OTAN/NATO], criada após a Segunda Guerra Mundial por iniciativa dos Estados Unidos para enfrentar o bloco soviético, devia, logicamente, desde que caiu o Muro Berlim, colocar a chave debaixo da porta. Sem contar com o apetite voraz do complexo militar-industrial dos países ocidentais, fornecedores de armas. Essa sim bem sucedida: hoje em dia a nossa NATO – sempre dominada pelos Estados Unidos – comporta-se como o “polícia do mundo”, substituindo-se cada vez com maior frequência às Nações Unidas (as quais procura cuidadosamente contornar). Em nome de conceitos vagos como “segurança” e “anti-terrorismo”, esta organização que, após a sua desastrosa intervenção na ex-Jugoslávia e no Afeganistão, procura agora, sob o “novo conceito estratégico”, adoptado em Lisboa, com o entusiasmo dos nossos governantes, impor as suas reivindicações: aumento dos orçamentos militares em particular na Europa, acolhimento de bases militares de “anti-míssil” por todo o lado, o reforço de armamento nuclear, aumentar a participação dos seus membros na guerra no Afeganistão.
Tudo isto sem a mínima consulta das populações em questão e exclusivamente para servir os interesses económicos das corporações transnacionais e dos governos que seguem as suas ordens sem pestanejar.
De entre os quais, recordemos, o governo francês (donde a nossa participação no colectivo francês «OTAN- Afeganistão»)




