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Notas para uma intervenção

19/10/2010

(Notas de Mário Tomé para a sua intervenção na Conferência “NATO para quê?” promovida pela CULTRA)

OBAMA CUMPRE O SEU PAPEL

O mundo de Obama

O império inclusivo. Não obstante as naturais disputas e contrradições todas as potência compartilham a espoliação dos povos e a exaustão do planeta.

 

EUA, superpotência nuclear, potência hegemónica e que conta com a despesa militar como factor de crescimento.

 

Poder nuclear mundial assegurado pela gestão do TNPAN – garantir a supremacia nuclear actual, apostar nas micro e nano bombas, e estimular a produção nuclear «para a paz». Irão e Israel dois pesos e duas medidas;

 

A rede da globalização financeira constrói a intregração política do império.

 

A dança dos G’s entre o G-20 e o G-2 garante aos EUA a flexibilidade necessária para gerirem a administração do império.

 

O capitalismo pinta-se de verde e ameaça neutralizar a luta contra a destruição do planeta.

 

Estratégia da guerra infinita como segurança do império.

 

Carácter colonial das acções integradas na guerra infinita

 

Derrota nas guerras mas vitória da estratégia da guerra infinita

 

A luta dos povos como única ameaça real ao império

 

O diferente papel dos povos vítimas de agressão e dos movimentos sociais no seio das nações (povos!?) agressoras no combate à estratégia do império.

 

 

Antecedentes próximos

Afeganistão pedra base da política norte-americana na Ásia

 

A deslocação do eixo económico da globalização do Atlântico para o Pacífico reforça o papel do Afeganistão

 

A invasão do Afeganistão preparada desde o início de 2001.

 

11 de Setembro, o novo Pearl Harbour . «Le Monde»: somos todos americanos

 

A táctica de provocação e falsificação e de intoxicação da opinião pública doméstica e aliada dá frutos.

 

Os governos aliados dos EUA, com Blair à cabeça, têm opinião pública receptiva para obedecer e participarem na aventura colonial.

 

Mentira concertada entre todas as nações ocidentais garantiu que  Sadam possuía  armas de destruição maciça e apoiava a Al Qaeda.

 

Em 2003, assalto ao Iraque; mais um passo no apoderamento do Médio Oriente.

 

Guerra  contra o terrorismo»  argumento final e decisivo para a violação sistemática  e sem rebuço da ordem internacional.

 

A nova estratégia da NATO  e a agressão norte-americana com ou sem NATO, são a teoria e a prática da guerra infinita.

 

Os media internacionais mainstreem integram a grande conspiração imperialista fazendo a propaganda da guerra e exercendo o controlo «democrático» dos dissidentes.

 

 

O Negro Redentor hasteia o pavilhão da caveira

Obama, presidente dos EUA, continua a política inaugurada com  as bombas sobre Hiroxima e Nagazaki : entrando na guerra (Pearl Harbour) «o país aceitou a responsabilidade de obter e utilizar o poder»*!

 

Ao não questionar, de raiz, nem os fundamentos nem os processos da Administração Bush, nomeadamente o Patriotic Act, o abuso de poder, a violação das regras do funcionamento da justiça, o uso da mentira para levar o país para a guerra violando o direito internacional, Obama ficou comprometido, desde o início, a seguir a mesma via.

 

Só tendo a coragem de denunciar politicamente e perseguir judicialmente os criminosos de guerra Bush, Cheeney, Rice e Rumsfeld poderia dar início a uma verdadeira alteração na política externa dos EUA.

 

Mas sendo tal improvável, se não impossível, dada a estrutura social e política dos EUA, também naquilo a que se comprometera directamente em campanha, Obama claudicou.

 

Guantânamo permanece incólome apesar das ambiguidades e hesitações, a tortura continua dentro e fora dos EUA, a retirada do Iraque reduz efectivos mas assegura posse, no Afeganistão é  reforçado o contingente e a desestabilização do Paquistão já fez dele teatro da guerra.

 

Os drones continuam a chacinar inocentes, as investidas nocturnas sobre povoados e habitações a aterrorizar as famílias.

 

Por seu lado acumulam-se as derrotas tácticas, a estratégia anda à deriva, sem clareza de objectivos a não ser a própria guerra.

A «afeganização» da guerra limita-se a armar e dar poder aos senhores da guerra tão criminosos e fundamentalistas como os talibãs

 

Com Obama, a alteração na política  externa dos EUA resume-se ao «soft power», conhecido entre nós, desde os tempos da guerra colonial em África como APSIC, em que fomos, aliás, pioneiros.

 

Os generais que comandavam o exército colonial português, sentindo que a guerra não se podia vencer, queriam «conquistar as mentes e os corações». Perderam a guerra e só o 25 de Abril os salvou do opróbrio.

 

Hoje diz-se  opiniões públicas. As dos países do bloco imperialista estão, por enquanto, neutralizadas ou mesmo intoxicadas e esse é o problema maior. Os povos desses países, consciente ou inconscientemente, fazem parte da agressão.

 

Nato oblige…

As «mentes e corações» dos povos agredidos são inconquistáveis pois a APSIC revela-se, como sempre,  a face desumana das bombas. Não engana ninguém

 

Nenhuma guerra colonial foi vencida pelo colonizador. E a do Afeganistão, assim como a do Iraque, não será vencida por mais crimes que a NATO cometa.

 

Obama sabe isso. Continua a agressão e a ocupação porque para os EUA é vital :  controlo do fornecimento do petróleo e gás ao seu maior apoio e, simultaneamente maior rival, parceiro repleto de potencialidades mas que é preciso travar na irrequietude do crescimento, a China.

 

E porque a guerra contra os povos  contém um factor de equilíbrio interno vital para os EUA: a ameaça externa  e o medo, como forma de unir um país essencialmente dividido; e um escape  para a violência endémica e a pobreza através da mobilização permanente para a guerra, sendo esta, ainda, um factor de minimização do desemprego e de saúde   do fundamental complexo industrial-militar..

 

A desestabilização do Paquistão provocada pela  actividade militar da NATO no Afeganistão reforça os argumentos – nomeadamente nucleares – para  uma eventual intervenção de grande envergadura dos EUA/NATO.

 

A pedido, eventualmente, para repor a estabilidade, alargando assim o teatro de operações estratégico na guerra em curso o que reforçaria o seu poder na região, o controlo total das «rotas da seda» e aumentaria a influência na Índia e a contenção da China.

 

Por seu lado parece-me pouco provável a médio prazo um ataque ao Irão.

 

Obama,  no Cairo, quis fornecer argumentos gerais de convivência que suavisassem a crítica, pouco mais que formal, dos países árabes à política norte-americana no Médio Oriente e ao seu apoio  incondicional à colonização da palestina e ao genocídio paulatino do povo palestiniano por Israel.

 

Foi ouvido pelos que queriam ouvi-lo com a certeza de que tudo ficaria na mesma quanto ao problema fulcral: a contenção de Israel e a libertação da Palestina. Obama o confessou: os interesses de Israel sobrepõem-se a tudo

 

A multilateralidade da política externa de Obama, controlada unilateralmente pelo férreo – blindado – comando efectivo da NATO, responde à necessidade de repartir adequadamente os esforços económicos, sociais e humanos da guerra infinita de que assume, diga-se em abono da verdade, a maior fatia e o comando absoluto.

 

A pusilanimidade dos governos sujeitos pelo poder da finança e das armas ao diktat do EUA, fá-los bater palmas ao negro redentor. Nem ele o é nem tais governos o quereriam como tal, provavelmente.

 

Finaalmente como agir para ajudar a mudar a opinião pública portuguesa que está muito condicionada e vê na NATO e nas FA’s pilares importantes da sua segurança?

 

Exige-se acção e propaganda com características de grande amplitude em geral  e de radicalismo onde se toca em questões claramente sentidas pelos cidadãos.

A guerra contra a crise ou a crise contra a guerra?

 

Na actual situação a crise deve ser usada como arma demolidora da política de despesas militares e com a guerra. Salários ou submarinos? Serviço público e saúde ou 2 mil milhões € por ano para a NATO?

Necessidade de encarar a Defesa Civil (protecção civil) como prioritária e as FA’s como uma despesa parasitária que exige ser reduzida ao mínimo.

 

Com ou sem Obama a NATO é uma máquina de fabricar guerras e de violação do direito

internacional ao serviço do domínio do mundo pelos EUA que comandam o império global.

 

Uma política de paz exige o regresso a casa de todos os soldados, a saída de Portugal da NATO e o fim da NATO cuja estratégia é tão somente a da guerra infinita

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