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«A despesa extraordinária dos submarinos é uma realidade que pesa sobre o Orçamento» (Sócrates)

«Paulo Portas pergunta sobre TGV, José Sócrates responde

com submarinos»

A aquisição de dois submarinos motivou hoje uma acesa troca de palavras entre o líder do CDS-PP e o primeiro ministro, que levantou a questão depois de Paulo Portas ter perguntado se o Governo mantém o TGV.

No debate quinzenal com o primeiro ministro, José Sócrates, Paulo Portas questionou a intenção do Governo de manter a prioridade do TGV ao mesmo tempo que aplica medidas de austeridade, mas José Sócrates devolveu a crítica afirmando que em 2003, “ano de recessão”, Paulo Portas decidiu comprar dois submarinos.

“E são estes dois submarinos que temos que pagar este ano como despesa extraordinária. Qual é a autoridade que tem para pedir o adiamento do TGV quando em ano de recessão decidiu comprar dois submarinos?”, criticou José Sócrates.

Sobre a questão do TGV, José Sócrates disse que a câmara estava informada do adiamento do troço Poceirão-Lisboa “até que esse projeto tenha condições de financiamento asseguradas nos mercados financeiros” mas frisou que o Governo “não vai desistir dos projetos de modernização da economia”.

Paulo Portas, ministro da Defesa em 2003, respondeu que José Sócrates “acaba de ofender” o Presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, um dos “sete ministros da Defesa do PS” que concordaram com a aquisição dos submarinos.

“Os senhores queriam quatro submarinos. Tiveram sete ministros da Defesa, um deles hoje presidente desta casa que o senhor acaba de ofender”, afirmou Portas, defendendo que as forças militares não devem ser “palco da disputa política”.

Sempre ao “ataque”, José Sócrates frisou que a “despesa extraordinária dos submarinos” vai ter que ser paga com receitas extraordinárias e que essa é “uma realidade que pesa sobre o Orçamento”.

Perante a insistência do primeiro ministro com o tema, Paulo Portas considerou que “deve ser má consciência por ter afundado o país” e questionou o “sentido de Estado” de Sócrates.

“Deve ser assim que quer o Orçamento aprovado”, atirou Paulo Portas no final da sua intervenção.

(Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.)

Com Lusa