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Os antecedentes terroristas da NATO. A rede Gládio em Espanha (*)

15/03/2010

 Alfredo Embid   

Aprofundamos os antecentes terroristas da NATO, indispensáveis para entender a História contemporânea e em particular que o 11-M nºão é um caso isolado.

A NATO, em colaboração com a CIA, seu homólogo británico, o MI 6 británico e outros serviços secretos locais nos países onde operava, cometeu numerosos actos terroristas atribuídos falsamente às esquerdas (o que se chama em linguagem militar, atentados de falsa bandeira),  interveio secretamente na política dos países europeus à margen dos cidadãos e de seus governos supostamente «democráticos», organizou fraudes eleitorais e golpes de Estado. Os meios de desinformação fizeram tudo o que podiam para o ocultar. Quando não podiam já continuar a fazê-lo, a partir do momento que a rede foi revelada pelo primeir ministro italiano Giulio Andreotti em 1990 no Parlamento (1), dedicaram-se a mnimizar a sua extensão e as suas implicações, por razões óbvias.

A existência destes exércitos secretos clandestinos criados pela NATO depois da Segunda Guerra Mundial conhecidos como Gládio ou redes stay-behind (ficar por detrás das linhas inimigas), foi justificada pela inventada ameaça de iminente invasão soviética.

Pensas que é uma opinião delirante/paranoica? Não.

Ray Cline, um dos directores adjuntos da CIA reconheceu que “todo o assunto do stay-behind não tinha no meu modo de ver, outro objectivo, senão o de garantir, em caso de que sucedesse o pior,no caso de  um partido comunista chegar ao poder, houvesse agentes para nos avisar, para seguir de perto os factos e de informar-nos”.

A realidade era muito pior que isso, como verás.

Estas operações secretas utilizaram numerosos criminosos nazis que foram cuidadosamente protegidos depois da segunda guerra mundial como Klaus Barbie, o carniceiro de Lyon, que acabou na Bolivia organizando o grupo de assassinos, os Noivos da Morte (2).

Também se serviram de fascistas destacados que tinham colaborado com os nazis como o príncipe italiano Valerio Borghese, cognominado o príncipe negro, que dirigia a Décima MAS (XMAS), um  exército de 4000 homens criado em 1941. Este grupo exterminou seus compatriotas membros da resist~encia contra a ocupação nazi, mas graças à protecção dos EUA foi declarado «não culpado» após a libertação, em 1945 (3).

A existência desta rede que esteve activa durante décadas é hoje um facto indiscutível. A nível internacional, as suas acções foram coordenadas pelo Pentágono, a NATO e a CIA e seu homólogo britânico, o MI-6. Cometeu numerosos actos terroristas, muitos deles falsamente atribuídos à esquerda comunista e anarquista, durante anos a fio, com a ajuda da extrema direita.

Sem dúvida, o atentado mais perecido com o  de 11M em Atocha é o da estação ferroviária de Bolonha a 2 de Agosto de 1980 que causou 85 mortos e mais de 200 feridos (4). Tal como em Atocha o lugar era um importante centro de intercomunicação de tráfico ferroviário para o conjunto do país. Afectou fundamentalmente pessoas do povo, já que a bomba explodiu na sala de espera dos passageiros de segunda classe da estação, de mesmo modo que no11M em que os comboios matinais não iam propriamente cheios de ministros nem de directores gerais.

Em ambos os casos, os autores são imediatamente identificados e detidos. O atentado de Bolonha é falsamente atribuído a grupos anarquistas e o de Atocha a grupos islâmicos, supostamente ligados à fantasmagórica e omnipresente Al Quaida.

Em Itália a polícia aproveitou para entrar nas sedes de todas as organizações esquerdistas e deter pessoas às centenas. Paralelamente, somente fez buscas nalgumas formações de extrema direita, mas evitando cuidadosamente as duas mais importantes: Ordine Nuovo e Avanguardia Nazionale, as quais estavam implicadas neste e noutros atentados terroristas, como se veio depois a comprovar (5).

Em Bolonha e em Madrid os juízes receberam  uma quantidade de informações falsas e erróneas.  Segundo os magistrados italianos, cuja versão está confirmada nas actas do Tribunal de Justiça de 23 de Novembro de 1995, declararam que os serviços secretos militares, o SISMI “nos fez chegar uma massa de informações dificilmente verificável, para nos empurrar para investigações e/ou pistas tão improdutivas como extenuantes”.

Foram acusadas várias pessoas, pertenecentes a grupos anarquistas aos quais se imputou imediatamente a responsabilidade de outros três atentados anteriores. O principal acusado é Pietro Valpreda, um bailarino profissional. O segundo acusado, o ferroviário Giusepe Pinelli, foi defenestrado despois de um interrogatorio. Este facto inspirará o Premio Nobel Darío Fo a escrever a famosa obra de teatro «Morte acidental de um anarquista».

Mas o testemunha de acusação Cornelio Rolandia, taxista, que é em simultâneo membro do Partido comunista e do MSI, o partido neo-fascista italiano, confessará mais tarde ao advogado de Valpreda que o chefe da policía de Milão lhe indicou quem devia ele reconhecer como o culpado. Rolandia fallece no ano seguinte de uma «pulonia fulminante sem febre», acrescentando assim o seu nome à longa lista de mortes mais que suspeitas.

No entanto, as pistas conduziram logo à extrema direita e também aos serviços secretos, em particular à Agência de contra-espionagem italiana (HIZO) debido à participação e implicação de Mario Merino e de Stefino Delle Chiaie, personagens fascistas bem conhecidas (6): este último tinha também actividades em Espanha, como veremos adiante.

As pistas do 11M também apontam como os atentados de Bolonha, do 11S e do 7J, aos serviços secretos nacionais e supranacionais, mas – em todos os casos – foram enterradas… de momento.

Gládio não  operou somente em Italia, mas também em França, Bélgica, Luxemburgo, Suíça, Portugal, Alemanha, los Países Baixos, Dinamarca, Noruega, Suécia, Finlândia, Áustria, Grécia, Turquia e, claro, em Espanha. A NATO também cometeu actos terroristas no Reino Unido (atentados sob bandeira falsa e assassínios de republicanos irlandeses), em países neutrais da Europa continental como a Suíça, mas também em África e na Ásia, fomentando, por exemplo o massacre de um milhão e meio de pessoas perpetrado no Cambodja pelos Khmers vermelhos, treinados e dirigidos pelo serviço secreto britânico SOE (7). Sem esquecer que nos meados dos anos 90 treinaram e equiparam terroristas do Exército de Libertação do Kosovo, antes e depois dos bombardeamentos que a NATO efectuou sobre a demasiado independente república jugoslava. (8)

A rede Gládio en Espanha

Em Espanha durante a ditadura de Franco “o próprio governo era Gládio” segundo o primeiro ministro (1981-1982) Calvo Sotelo, que nunca admitiiu que existisse em Espanha. Mas estaba a mentir, tal como o fizeram todos os governos posteriores.

Durante a ditadura, além de ter um governo fascista, a rede Gládio teve uma presença  destacada, como documenta rigurosamente Daniel Ganser no seu excelente livro Les Armées Secrètes de l’OTAN (9). O coronel Amadeo Martínez (10), entre outros, confirmou que a Espanha efectivamente acolheu uma estrutura de tipo Gládio.

À partida, um pretexto como o de que nos estábamos a defender de uma invasão do exército soviético, para implantar uma rede Gladio era especialmente ridícula no nosso paíos, dada a distancia. Ainda assim, quando fiz a tropa, nos anos 60 recordo que nos davam, surrealistas  clases da estratégia a seguir no caso de  invasão da URSS através dos Pirinéus.  O objectivo da rede Gládio não era defender-nos da invasão russa, nem na Espanha, nem noutro qualquer país, mas o de controlar e reprimir os movimentos de oposição de esquerda e impedir por todos os meios (incluindo os criminosos) a que esta tivesse acesso, não só ao poder, mas mesmo a parcelas do poder.

A Espanha acolhou muitos nazis e extremistas direitistas, após a segunda guerra mundial, como é lógico, já que era o único estado oficialmente fascista que restava.. Mas também continuou a fazê-lo depois, como se verá.

Por exemplo, na sequência do abortado golpe de estado em Itália, a 7 de Dezembro de 1970,  dirigido pelo príncipe fascista Valerio Borghèse, instalou-se uma autêntica colónia facha encabeçada pelo mesmo. Entre estes destaca-se Stefano Delle Chiaie (Cacolla para os amigos) que também participou no golpe,  tomando o  ministério do Interior, associado ao nazi Otto Skorzeny que era membro consultor dos serviços secretos de Franco. Formou un grupo de criminosos que participaram em cerca de mil operações e pelo menos em 50 assessinatos de militantes antifascistas, por conta dos serviços secretos espanhóis segundo confissão dos seus membros, especialmente de Aldo Tisei face a magistrados italianos (11).

Operaram sobretudo no País Basco onde, por exemplo, em 1976 provocaram um confronto entre diferentes grupos carlistas durante uma manifestação em Montejurra na qual houve varios mortos (12).

Quando o ditador Pinochet esteve brevemente em  Espanha para assistir ao enterro do “generalísimo” Francisco Franco, também encontrou tempo para conversar com o terrorista Stefano Delle Chiaie” (13).

Podemos seguir o rasto de Delle Chiaie posteriormente durante a sua gloriosa carreira: Como suspeito de organização do atentado da estação de Bolonha  em 1980. Organizando assasinatos no Chile (operação Condor) e formando os tristemente célebres esquadrões da morte na Bolívia com o nazi Klaus Barbie, também protegido pela rede Gládio.

A Espanha não apenas acolheu só fascistas italianos, também o fez com outros como Jean Pierre Cherid, ex membro da OAS, organização terrorista francesa de extrema direita criada em 1961 para opor-se à independência da Argélia com a colaboração do Gládio. Jean Pierre Cherid tambem esteve implicado na operação Montejurra, antes mencionada (14).

Nos anos 70 o serviço Central de Documentação da Presidência do Governo, SECED, uma unidade secreta especial criada por Carrero Blanco, mantinha estreitos contactos com  rede Gládio espanhola e juntos participaram na repressão violenta do movimento estudantil, segundo Pietro Cedomi (15).
Os serviços secretos espanhóis trabalham em estreita colaboração com a CIA e chegaram a instalar uma base Gládio na ilha de Las Palmas, Canárias, tal como o Gládio italiano que teve uma base secreta em Alghero, na ilha de Sardenha. Segundo testemunho do  Coronel italiano Alberto Voll, em Las Palmas eran treinados agentes estrangeiros sob as órdens de norteamericanos segundo testemunhos dos próprios. (16)

Em 1973 a rede espanhola participou num exercício “ stay–behind” na Baviera dirigido pelos norteamericanos (17), embora a Espanha não tenha entrado oficialmente na NATO senão em 1982.

Depois, continuou a existir. Após a norte de Franco em 1975 continuaram a operar impunemente. Por exemplo, Carlo Cicuttini, ex militante do neofascista Movimento Social Italiano (MSI) e dirigente do grupo terrorista Ordine Nuovo, perseguido pela justiça italiana debido ao atentado terrorista de Peteano em 1972, también formava parte da colónia fascista implantada em Espanha, onde chegou a bordo de um avião militar.

Aqui participou activamente na matança perpetrada a 24 de janeiro de 1977 no número 55 da rua de Atocha (Madrid). Foram assassinados os advogados laboralistas Enrique Valdevira Ibáñez, Luis Javier Benavides Orgaz y Francisco Javier Sauquillo Pérez del Arco, o estudante de direito Serafín Holgado de Antonio, e o administrativo Ángel Rodríguez Leal, e ficaram gravemente feridos Miguel Sarabia Gil, Alejandro Ruiz-Huerta Carbonell, Luis Ramos Pardo y Dolores González Ruiz, casada con Sauquillo, grávida, a qual também perdeu o seu bébé. A sua participação foi confirmada por um relatório reservado do Comité Executivo para os Serviços de Informação e Segurança (CESIS), organismo dependente da Presidência do Conselho de Ministros de Itália (18) (19).

Este energúmeno foi protegido pelo governo franquista, e pelos governos posteriores independentemente de serem do centro, direita ou esquerda. Quando foi condenado em Itália à prisão perpétua em 1987 o governo “democrático” espanhol, então dos socialistas, negou a extraditá-lo dando como desculpa que estaba casado com a filha de um tenente general e através deste truque, tinha-se convertido em cidadão espanhol (20).

Quando em 1990 rebentou o escândalo do Gládio no Parlamento italiano, o parlamentar Antonio Romero de Izquierda Unida colocou a questão da existencia da rede em Espanha, ao governo socialista. Além disso, adiantou a possibilidade de uma traição da NATO ao não ter informado sobre esta rede antes que a Espanha ingressasse na Aliança em 1982.

A negação foi negação foi unânime, mas não convenceu. O ministro da defesa Serra viu-se obrigado a ordenar uma investigação. Mas quem se encarregou desta foi o Centro Superior de Informação e de Defesa o CESID dirigido pelo general Manglano que também era o delegado espanhol na NATO para questões de segurança. O serviço secreto militar CESID era precisamente o principal suspeito, pelo que encarregá-lo da investigação era como encarregar a raposa de descubrir quem comeu as galinhas, uma  farsa. Para completá-la o General Manglano negou-se rotundamente a prestar declarações no Parlamento e assim o resultado da sua investigação foi o esperado:  a Espanha nunca tinha participado na rede Gladio. Caso encerrado… por agora.

A NATO  ha ampliadmpliou as suas actividades a todo o planeta

Se os atentados terroristas de falsa bandeira e a ingerência antidemocrática da NATO até aos anos 90 se efectuaram sob o pretexto da luta contra o comunismo fundamentalmente nos países de Europa, agora o pretexto é a guerra contra o terrorismo islâmico, o novo inimigo inventado, que justifica as intervenções em todo o mundo.

Ol objetivo real é o mesmo: a manutençãpo de uma orden que continue a posibilitar o controlo e apropriação dos recursos mundiais por parte das elites ricas. Em especial agora, é de vital importancia apropriar-se dos hidrocarbonetos que restam e controlar as suas vías de distribuição, à medida que nos aproximamos do pico do petróleo, que segundo muitos já teria sido alcançado. Se analisares a constelação de motivos das últimas guerras e das que estão decorrendo, este objectivo aparece sempre em primeiro plano, estreitamente ligado a impedir a emergencia de um bloco que possa competir com a dominação unilateral das mutinacionais ocidentais.

[tradução de MB para PAGAN]

Boletín Armas Contra las Guerras

Notas

(1) Ver « Le SID parallèle – Le cas Gladio » Rapport Andreotti sur l’Opération Gladio. www.voltairenet.org/article8387.html#article8387
(2) Ver al respecto de Klaus Barbie y los grupos nazis en Bolivia nuestro Boletín nº 203 2ª Parte. Lo que no te cuentan sobre Bolivia. El papel de los grupos fascistas que reivindican la autonomía. El papel de los medios de desinformación. Cacería de indios en Cobija, Pando. ¿Habrá un golpe de estado en Bolivia? Alfredo Embid. http://ciaramc.org/ciar/boletines/cr_bol2032parte.htm
(3) Stuart Christie, Stefano delle Chiaie (Anarchy Publications, Londres 1984), p. 6.
(4) Terrorismo de Estado 1980: masacre en Bolonia, 85 muertos. Red Voltaire,
www.voltairenet.org/article120694.html
(5) La orquesta negra, de Frédéric Laurent, Ediciones Stock, 1978.
(6) Terrorismo de Estado. 1980: masacre en Bolonia, 85 muertos
por Red Voltaire. www.voltairenet.org/article120694.html
(7) Los ejércitos secretos de la OTAN. Séptima parte. Daniele Ganser.
www.voltairenet.org/article163703.html#article163703
(8) Ver al respecto los dos libros de Michel Collon: El Juego de la Mentira y Monopoly. Ambos publicados en la editorial Hiru. http://www.hiru-ed-com
(9) Daniel Ganser Les Armées Secrètes de l’OTAN
www.voltairenet.org/librairie/product_info.php?products_id=65
(10) Josef Manola. Der Standard 17 nov. 1990. citado en el libro de Daniel Ganser.
(11) Stuart Christie y colaboradores en News on Sunday, extra 31 Mayo 1987, citado en el libro de Danielle Ganser.
(12) Miguel González. El País 2 diciembre 1990, citado en el libro de Danielle Ganser.
(13) Hernando Calvo Ospina “Pinochet, la CIA y los terroristas de la mafia”, Granma, 28 de agosto de 2003.
(14) Más allá de Montejurra. Terrorismo derechista. Edgar González Ruiz | Kaosenlared | 3-4-2006
www.kaosenlared.net/noticia/mas-alla-montejurra-terrorismo-derechista
(15) Faligot y Kaufer. Les Maitress espions. Robert Laffont, París 1994. pgna. 285
(16) Daniel Ganser Les Armées Secrètes de l’OTAN
www.voltairenet.org/librairie/product_info.php?products_id=65
(17) Gerardo Serravallo. Gladio. Edizione Associate Roma 1991. p 82.
(18) Miguel Gonzalez. El país 2 diciembre 1990. Citado en el libro de Danielle Ganser.
(19) Angel Luis de la Calle. Expresso Portugal 8 dic. 1990. Citado en el libro de Danielle Ganser.
(20) Agence France Presse. 17 Abril 1998. Citado en el libro de Danielle Ganser.

 (*) De http://www.lahaine.org/

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