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Planificação da guerra à porta fechada

07/02/2010

[ de http://www.globalresearch.ca/index.php?context=home ]

Por Rick Rozoff

Os chefes da defesa dos 28 países da NATO e um número não revelado de outros representantes de não-membros reuniram-se em Istambul, na Turquia, a 4 de Fevereiro no início de dois dias de encontros centrados na guerra no Afeganistão,  na necessidade de extraírem militares do Kosovo, aquando da transferência do controlo das operações de segurança às forças armadas embrionárias  (a Força de Segurança do Kosovo) e nos « esforços de transformação necessários para uma óptima conduta no desempenho em pleno das missões NATO acordadas.» [1] A cidade de Istambul foi o local da cimeira do bloco militar em 2004, que veio oficializar a maior expansão nos seus 60 anos de história; sete novos países de Leste Europeu e o seu fortalecimento em parcerias militares com treze nações do Médio Oreinte e de África, sob o nome de Iniciativa de Cooperação de Istambul.O presidente do comité militar da NATO, Almirante Giampaolo Di Paola, o comandante supremo aliado na Europa, o Almirante James Stavridis e o chefe máximo das tropas dos EUA e NATO no Afeganistão – em breve atingirão cifra acima de 150,000 – General Stanley McChrystal estavam entre os presentes, assim como a Alta Representante para os Negócioas Estrangeiros e Política de Segurança da UE, Catherine Ashton e o Alto representante da ONU para o Afeganistão Kai Eide assim como os ministros do interior e da defesa do Afeganistão.

Os encontros ocorreram uma semana após a Conferência Internacional sobre o Afeganistão, realizada em Londres, que por sua vez, ocorreu dois dias após os encontros do Comité Militar da NATO com os Chefes da Defesa dos 28 Estados do bloco e mais 35 de nações em parceria, com tropas estacionadas no teatro de guerra Afeganistão. Ao todo, chefes militares de 63 países. 

O General dos EUA McChrystal também presente conjuntamente com o Tenente General, Chefe do Estado Maior de Israel, General Gabi Ashkenazi e com o Chefe de estado maior das Forças Armadas paquistanesas General Ashfaq Parvez Kayani. Antecipadamente, foi noticiado pela página Internet do bloco militar que «Os diversos encontros irão debruçar-se sobre os progressos nas operações em curso e sobre o Novo Conceito Estratégico para a NATO» [2] Que 35 comandantes máximos de países não-membros da NATO estejam presentes para ouvir os planos de escalada da guerra, daquela que já é a maior guerra do mundo, é compreensível, visto as suas forças serem parte no terreno da força multinacional, para cima de 50, sob comando NATO.

Na mesma conferência discutiu-se a nova doutrina militar do bloco, no século 21 – a ex-secretária Madeleine Albright fez uma palestra sobre o assunto – o que levanta a questão de quantos chefes militares dos 35 estados não-membros podem ter participado nesta fase da discussão com os seus 28 colegas da NATO. Tal participação de elevada percentagem dos comandantes militares de topo num conclave de dois dias que decidiu sobre a guerra no Sul da Ásia e sobre a expansão do único bloco militar mundial, mesmo fora da área Euro-Atlântica  (quando, na verdade, já conduziu operações em 4 continentes) confirma que o Afeganistão serve mais do que um objectivo do Ocidente. É um laboratório para fortelecer os laços militares com nações de cada continente habitado e para construir o núcleo e fundamento de umas futuras forças armadas mundiais.
A conferência de Londres sobre o Afeganistão, foi apresentada pelo Ocidente como uma espécie de equivalente de empreitada benigna para o desenvolvimento económico ou para o planeamento de ajuda humanitária – sítio internet da Conferência descreveu-o como “A comunidade internacional juntar-se, para oferecer recursos militares e civis de apoio a uma estratégia política com liderança afegã” [3] – isto foi antecedido por dois dias de encontros entre militares de alta patente de cerca de um terço das nções do mundo no quartel-general da NATO. Depois, houve dois dias de encontros esta semana  pelos chefes da defesa da NATO e aliados. A baronesa Ashton, chefe da política externa da UE e o secretário da ONU, Eide (que anteriormente ocupava um posto comparável na Bosnia e Kosovo e fora o embaixador da Noruaga junto da NATO, de 2002 até 2006) participaram ambos na conferência de Londres e estavam também no conclave da NATO de Istambul. 

(Javier Solana, que antecedeu Ashton, foi Secretário geral da NATO de 1995 a 1999 antes de se tornar no Alto Representante da UE para política externa e segurança, um título ligeiramente retocado pelo Tratado de Lisboa, efectuou a «passagem de testemunho» sem sobressaltos) 

Reciprocamente, na conferência de Londres foi interveniente o secretário-geral da NATO Fogh Rasmussen que disse, entre outras coisas, “com mais de 85,000 soldados de 44 nações em campo no Afeganistão – e para cima de 39,000 foças adicionais que estão a chegar dentro de semanas e meses – a Força Internacional de Assistência para a Segurança  [ISAF] permanece a prioridade máxima da NATO.” [4]  

Se houvesse necessidade de maior prova de que a ONU está ao serviço da NATO e não o inverso, com a UE sendo o mordomo civil da NATO,  e que os três estão subordinados aos EUA, bastaria olhar para os eventos da última semana e o painel de seus participantes. 

A cadeia de comando começa em Washington e as ordens ladradas daí são obedecidas em Bruxelas e New York City.

As duas organizações com sede em Bruxelas, a « aliança militar dos estados democráticos na Europa e na América do Norte» (A definição que a NATO dá de si própria) e  o “Super-estado militar europeu” (assim se referem os partidso de oposição irlandeses aos efeitos dos tratados de  Nice e de Lisboa), estão afectados por verborreia nervosa (echolalia), papagueando a posição dos EUA sobre os conflitos armados actuais e sobre aqueles que têm potencial para se transformarem nisso, no mundo inteiro – Afeganistão, Iraque, Geórgia-Rússia, Geórgia-Abcásia, Geórgia-Ossétia do Sul, Iraque Rússia—Ucrânia, Kosovo, Bosnia, Somalia, Yemen, Colombia, Myanmar, Sudão, Tchade, República Centro-Africana, Coreia do Norte, Zimbabwe, Israel-Líbano, Líbano-Síria, Israel-Palestina, Macedónia, Costa do Marfim, Djibouti-Eritreia, Transdniestre e todos os que estão para vir – com uma impressionante fidelidade nesta época, inconsistente em tudo o mais. 

A condenações, a retórica e ameaças produzidas pelo secretário de estado dos EUA e pelo embaixador junto da ONU, poderiam bem ser apresentadas em triplicado.
Os que representam a Rússia e China, membros permanentes do Conselho de Segurança podem, ocasionalmente, ontualmente, bloquear acções do Ocidente contra terceiras partes indefesas na ONU, mas Washington sai sempre com um mandato e tem a palavra final na selecção dos vice-reis para complementar as forças militares dos EUA e da NATO, no terreno, nas nações subjugadas.

Um exemplo recente foi durante o segundo dia dos encontros do Comité Militar da NATO em Bruxelas e um dia antes da conferência em Londres sobre o Afeganistão, « uma conferência internacional » sobre o Yemen teve lugar em londres, tendo o Primeiro-Ministro britânico Gordon Brown sido responsável pela sua convocação a pretexto …do ataque bombista falhado num voo para Detroit,EUA, em 25 de Dezembro” [5]

Isto merece ionstistência. A captura nos EUA de um nigeriano supostamente treinado no Yemen levou aque o chefe britânico convocasse representantes do Grupo dos Oito  (Grã-Britanha, Canada, França, Alemanha, Itália, Japão, Rússia e os EUA), o Conselho de Cooperação do Golfo (Bahrain, Kuwait, Oman, Qatar, Arabia Saudita e os Emitaros Árabes Unidos), o Egipto, a Jordânia – mas não a Liga Árabe – a Turquia e a União Europeia, as Nações Unidas, o Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional” para estimular a luta contra Al Qaeda….” [7] Em breve 50,000 soldados não- estadounidenses serão mergulhados no Afeganistão porque o bloco invocou o Artigo 5 de providências de devesa colectiva, em 2001… para combater Al-Qaeda.

O sempre obsequioso Secretário-Geral da ONU Ban Ki-moon  emprestou legitimidade a esta charada norte-americana e britânica, no dia seguinte na Conferência sobre o Afeganistão, ao discursar perante os 28 ministros dos estrangeiros membros da NATO  e as dúzias de não-membros participantes na Força Internacional de  Assistência Segurança.

O Yemen juntou-se à ex- Jugoslávia, ao Afeganistão e ao Iraque como alvo da « assistência e estabilização » ocidental. A NATO irá efectuar mais sessões de planeamento com montes de chefes militares e ministros dos estrangeiros, e não apenas para a guerra no Afegnistão.

O seu Novo Conceito Estratégico não conhece limites geográficos.

Notas

1) NATO, February 3, 2010 
   http://www.nato.int/cps/en/SID-07E5106A-22C87D27/natolive/news_61170.htm?]
2) NATO, January 25, 2010 
   http://www.nato.int/ims/news/2010/n100126e.html
3) Afghanistan: The London Conference       
   http://afghanistan.hmg.gov.uk/en/conference 
4) http://www.nato.int/cps/en/natolive/opinions_61101.htm
5) Deutsche Presse-Agentur, January 28, 2010
6) Reuters, January 27, 2010

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