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No conflito do Afeganistão, “nenhuma solução existe sem um forte suporte militar”

21/12/2009
Após um primeiro semestre passado a chefiar o comando aliado “transformação”  (ACT), um dos dois comandos estratégicos da NATO/OTAN , com a tarefa de adaptar as forças dos Estados membros às missões da Aliança, o general francês  Stéphane Abrial  enviou uma carta ao secretário geral Anders Fogh Rasmussen para lhe dar conta do seu diagnóstico e das suas prioridades. 

Em entrevista ao jornal “Le Monde”, no passado dia 18 de Dezembro, Stéphane Abrial explica-se:
Com que olhos vê hoje a NATO?

A razão de ser inicial da Aliança, uma missão militar de defesa colectiva contra um adversário único, a União Soviética, evoluiu para uma missão de defesa e de segurança. Já não há ameaça directa às nossas fronteiras que nos obrigaria a estar prontos a, no imediato, dispor das nossas armas. As nações têm chttp://www.lemonde.fr/asie-pacifique/article/2009/12/18/dans-le-conflit-en-afghanistan-nulle-solution-n-existe-sans-soutien-militaire-fort_1282600_3216.htmlonsciência de que a sua defesa começa bem longe do seu território. A NATO está, portanto, em evolução. Não tão depressa quanto alguns o desejariam: falta-lhe um estado maior e forças suficientes para colocar em acção em caso de crise.

Para além do mais, a compreensão do papel da Aliança varia duma capital dum dos seus 28 membros para outra. O novo “conceito estratégico” em preparação para 2010, que vai definir as suas missões para os anos a seguir, deverá reunir os seus membros sob uma visão comum. Por fim, as limitações orçamentais obrigam-nos a sermos inventivos e a fazer propostas realistas.

Que lições tirar da Força Internacional de Assistência e Segurança (FIAS) no Afeganistão, sobre a qual a Aliança atlântica concentra os seus meios?

Tiramos muitas lições, no quotidiano, sobre a forma como as operações se desenvolvem e o adversário se adapta. Trabalhámos na luta contra os engenhos explosivos improvisados, a contra-insurreição, a identificação do adversário. É preciso termos, nesse teatro, resultados rápidos. Reflectimos a “abordagem global”: sabemos que não há uma solução militar pura, mas também sabemos que não existe qualquer solução sem um apoio militar forte.. Os militares são, muitas vezes, os primeiros a chegar ao terreno e são, por natureza, bem organizados. Devem poder agir com outros actores, estatais ou não. Como organizar a acção civil-militar? Uma das dificuldades é que certas organizações não governamentais não querem trabalhar com os militares. Cabe-nos  a nós tomar a iniciativa de as contactar.

A FIAS é criticada por ser uma justaposição de forças mais do que uma coligação integrada….

O número muito grande de actores no conflito, 28 Estados membros da NATO e 43 países no total, também nos obriga a progredir nas questões da “inter-operacionalidade”: é preciso compatibilizar os treinos das forças, os seus meios de comunicação, as suas armas – por exemplo, a capacidade de recarregar as armas de uns com as minições de outros. Os países envolvidos ainda estão a descobrir os métodos de uns e dos outros quando chegam ao terreno. Eles devem, e isto é de uma importância muito grande, partilhar, a montante, a forma como as suas forças são preparadas.

O vosso comando elaborou um documento, “Futuros múltiplos”, que desenha cenários de crises futuras e a respectiva resposta militar. Vai servir para quê?

Este documento é um bom ponto para a reflexão em curso sobre o novo conceito estratégico. O meu comando está em posição de fornnecer um parecer militar ao grupo de especialistas, civis, designados pelo secretário geral.

As pessoas sempre foram surpreendidas pelos acontecimentos da história. O essencial é diminuir o nível de surpresa: a partir de cenários potenciais, preparar-se. Num deles, intitulado “A face sombria da exclusividade”, as diferenças entre o mundo desenvolvido e o resto da humanidade aumentariam e criariam tensões. Os Estados fracos ou falidos seriam mais numerosos, assim como as zonas em que os países da Aliança seriam ameaçados. Isso poderia conduzir a NATO a impor acções dissuasivas e colocar o acento numa projecção rápida de forças para assegurar os recursos vitais, rever as regras dos acordos, que seriam mais difíceis para os exércitos.

O que é que propõe?

Desejo que o plano de acção da ACT tenha o papel dum “laboratório de ideias” e mobilize melhor os conhecimentos disponíveis, seja para aconselhar uma nação que redija o seu Livro Branco da defesa, ou para trabalhar nos domínios de interesse comum, como o espacial ou o marítimo. Também é preciso melhorar a planificação dos meios de defesa; é um processo muito longo e complexo que consiste em olhar para o que existe em cada nação, compará-lo com as necessidades, preencher as lacunas. Esta planificação deve, agora, integrar os meios civis. Em terceiro, é preciso reduzir os atrasos na disponibilização de novos meios, equipamentos, ou homens.

Convém trabalhar muito a montante com os industriais, para identificar as tecnologias que possam ter uma utilidade militar e desenvolver capacidades multinacionais. Doze países fizeram-no através da aquisição de aeronaves de transporte estratégico. Uma simples partilha de conhecimento permitiria já uma melhor mutualização. Isso deve poder fazer-se no domínio da instrução das forças armadas. Por fim, é necessário trabalhar com as nações parceiras da NATO. Estamos juntos nos teatros de operações.

N.T.

ACT- Comando Aliado para a Transformação – o décimo comando estratégico da NATO e do SHAPE.- Supremo quartel-general aliado europeu.

ACT é mais do que um simples “laboratório de ideias” – pressupõe um plano de acção – um papel muito activo- como seja a formação de “políticas de informação”, o contacto e apoio a indústrias de armamento dos EUA, a influência no “pensamento dominante”, a mudança na “imagem” da NATO, na opinião pública,o estreitamento da colaboração com o ACO, comamdo operacional da NATO.

Na Web: consultar o documento “Futurs multiples”, www.act.nato.int/multiplefutures.

Entrevista conduzida por Nathalie Guilbert

Fonte: http://www.lemonde.fr/asie-pacifique/article/2009/12/18/dans-le-conflit-en-afghanistan-nulle-solution-n-existe-sans-soutien-militaire-fort_1282600_3216.htmlFonte

 


 


 


 


 


 

 


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One Comment leave one →
  1. Schultz permalink
    22/12/2009 1:13

    Nenhum exército convencional é capaz de vencer guerrilheiros se o terreno lhes é desfavorável. Que pena que os SENHORES DA GUERRA não possam mais obter uma pequena lição com FIDEL CASTRO

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