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ENTREVISTA A UM GENERAL DA OTAN/NATO, ALIANÇA MILITARISTA GLOBAL

19/12/2009
A cimeira da OTAN/NATO, de finais de 2010, em Portugal, será ocasião para definição de um novo conceito estratégico.
Este está  sendo forjado agora, dez anos depois da «estratégia de Washington», que colocava a OTAN como guardiã do capitalismo globalizado, sendo considerados democráticos apenas os que fizessem a escolha do «livre mercado» e na condição de vassalos do império global.
Foi esta a postura, nomeadamente, da super-potência emergente da UE, desejosa da sua parte do quinhão, sabendo de antemão que não poderia pôr em causa o poderio hegemónico do imperialismo principal na finança (regulação dos fluxos financeiros), no comércio (uma OMC de acordo com os interesses estadounidenses) e, sobretudo, na máquina de guerra (com a OTAN/NATO a servir de polícia global do império)!
Será de novo em Portugal (em Lisboa?) que irão consagrar,  sob o jugo do império,  o tal «re-desenho do conceito estratégico da NATO»  ou seja, das tarefas de cada peão na ordem capitalista global.
 QUEM É PELA PAZ, NÃO PODE APOIAR A MAIOR CAUSA DE DESTRUIÇÃO E GUERRA! 

 

 
CAPITALISMO é GUERRA,
GUERRA é OTAN/NATO!
MB
……………………..
Nathalie Guibert, do jornal Le Monde, entrevistou o general francês Stéphane Abrial . Este enviou uma carta a Anders Fogh Rasmussen para lhe dar conta dos seu diagnóstico e das suas prioridades. Ele explica-se sobre isso na entrevista seguinte.

Com que olhos vê hoje a NATO?

A razão de ser inicial da Aliança, uma missão militar de defesa colectiva contra um adversário único, a União Soviética, evoluiu para uma missão de defesa e de segurança. Já não há ameaça directa às nossas fronteiras que nos obrigaria a estar prontos a, no imediato, dispor das nossas armas. As nações têm consciência de que a sua defesa começa bem longe do seu território. A NATO está, portanto, em evolução. Não tão depressa quanto alguns o desejariam: falta-lhe um estado-maior e forças suficientes para colocar em acção em caso de crise.

Para além do mais, a compreensão do papel da Aliança varia duma capital dum dos seus 28 membros para outra. O novo “conceito estratégico” em preparação para 2010, que vai definir as suas missões para os anos a seguir, deverá reunir os seus membros sob uma visão comum. Por fim, as limitações orçamentais obrigam-nos a sermos inventivos e a fazer propostas realistas.

Que lições tirar da Força Internacional de Assistência e Segurança (FIAS) no Afeganistão, sobre a qual a Aliança atlântica concentra os seus meios?

Tiramos muitas lições, no quotidiano, sobre a forma como as operações se desenvolvem e o adversário se adapta. Trabalhámos na luta contra os engenhos explosivos improvisados, a contra-insurreição, a identificação do adversário. É preciso termos, nesse teatro, resultados rápidos. Reflectimos a “abordagem global”: sabemos que não há uma solução militar pura, mas também sabemos que não existe qualquer solução sem um apoio militar forte. Os militares são, muitas vezes, os primeiros a chegar ao terreno e são, por natureza, bem organizados. Devem poder agir com outros actores, estatais ou não. Como organizar a acção civil/militar? Uma das dificuldades é que certas organizações não governamentais não querem trabalhar com os militares. Cabe-nos a nós ir em primeira linha.

A FIAS é criticada por ser uma justaposição de forças mais do que uma coligação integrada…

O número muito grande de actores no conflito, 28 Estados membros da NATO e 43 países no total, também nos obriga a progredir nas questões da “inter-operacionalidade”: é preciso compatibilizar os treinos das forças, os seus meios de comunicação, as suas armas – por exemplo, a capacidade de recarregar as armas de uns com as munições de outros. Os países envolvidos ainda estão a descobrir os métodos de uns e dos outros quando chegam ao terreno. Eles devem, e isto é de uma importância muito grande, partilhar, a montante, a forma como as suas forças são preparadas.

O vosso comando elaborou um documento, “Futuros múltiplos”, que desenha cenários de crises futuras e a respectiva resposta militar. Vai servir para quê?

Este documento é um bom ponto para a reflexão em curso sobre o novo conceito estratégico. O meu comando está em posição de fornecer um parecer militar ao grupo de especialistas civis, designados pelo secretário-geral.

As pessoas sempre foram surpreendidas pelos acontecimentos da história. O essencial é diminuir o nível de surpresa: a partir de cenários potenciais, preparar-se. Num deles, intitulado “A face sombria da exclusividade”, as diferenças entre o mundo desenvolvido e o resto da humanidade aumentariam e criariam tensões. Os Estados fracos ou falidos seriam mais numerosos, assim como as zonas em que os países da Aliança seriam ameaçados. Isso poderia conduzir a NATO a impor acções dissuasivas e colocar o acento numa projecção rápida de forças para assegurar os recursos vitais, rever as regras dos acordos, que seriam mais difíceis para os exércitos.

O que é que propõe?

Desejo que o comando ACT tenha o papel dum Think Tank e mobilize melhor os conhecimentos disponíveis, seja para aconselhar uma nação que redija o seu Livro Branco da defesa, ou para trabalhar nos domínios de interesse comum, como o espacial ou o marítimo. Também é preciso melhorar a planificação dos meios de defesa; é um processo muito longo e complexo que consiste em olhar para o que existe em cada nação, compará-lo com as necessidades, preencher as lacunas. Esta planificação deve, agora, integrar os meios civis. Em terceiro, é preciso reduzir os atrasos na disponibilização de novos meios, equipamentos, ou homens.

Convém trabalhar muito a montante com os industriais, para identificar as tecnologias que possam ter uma utilidade militar e desenvolver capacidades multinacionais. Doze países fizeram-no através da aquisição de aeronaves de transporte estratégico. Uma simples partilha de conhecimento permitiria já uma melhor mutualização. Isso deve poder fazer-se no domínio da instrução das forças armadas. Por fim, é necessário trabalhar com as nações parceiras da NATO. Estamos juntos nos teatros de operações.

Na Web : consultar o documento “Futurs multiples”, www.act.nato.int/multiplefutures.

Entrevista efectuada por Nathalie Guibert

 

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