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Onde se confirma que os submarinos não servem para nada

14/12/2009

Devem ter descoberto agora que o submarino não pode ser utilizado no Afeganistão.

Como patriotas que são, o CDS e o PSD vão adquirir o submersível para aliviar as futuras gerações

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Valença Pinto abre polémica com submarino

por MANUEL CARLOS FREIRE

O  principal chefe militar diz que só após a chegada do primeiro submarino, em Janeiro, “será procurada para eles a melhor aplicação”. Políticos e militares ficaram perplexos e criticam o CEMGFA

O chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA), general Valença Pinto, lançou este fim-de-semana novas dúvidas sobre a utilidade do programa dos submarinos, onde Portugal investe mais de 1000 milhões de euros.

Questionado pela Antena 1 sobre “como é que vai ser rentabilizado o investimento feito” nessa arma, o general respondeu: “Quando os submarinos chegarem, à medida que forem chegando, certamente que será procurada para eles a melhor aplicação e a melhor rendibilização, no quadro das missões das Forças Armadas que estão consagradas desde 2005 e é aí que vamos encontrar….”

Interrompido pela entrevistadora – “Ainda não há missão conhecida para esse primeiro submarino [que chega dentro de um mês]?” -, o CEMGFA acrescentou: “Conhecem-se, em tese, as capacidades dos submarinos (…) e é nesse contexto que procuraremos a melhor aplicação desse novo recurso.”

As declarações do general Valença Pinto – quando se ouvem vozes a advogar a venda dos sub ou mesmo a encontrar forma de cancelar o contrato – suscitaram grande surpresa junto das fontes políticas e militares ouvidas pelo DN.

O deputado João Rebelo (CDS), do partido cujo líder- Paulo Portas, como ministro da Defesa – assinou o programa de compra dos submarinos (2004), disse ter ficado “um bocado perplexo”. “A capacidade submarina, para o Estado, está definida não só nas verbas para a adquirir como também nas missões em que vão ser usados”, frisou.

“Quando [o CEMGFA] vem dizer que ‘em tese são conhecidas as capacidades dos submarinos’, não é em tese, mas na prática, porque as missões do passado [com os submarinos a abater] são as do futuro: garantir a soberania nos mares sob responsabilidade portuguesa e como meio de dissuasão contra tráficos ilícitos”, adiantou. Acresce que “as declarações (…) põem em causa a decisão de fazer o concurso, lançado em 1998 e depois mantido por vários Governos”.

Rui Fernandes, do PCP, disse esperar “que os submarinos sejam aplicados em missões de interesse público” – o argumento usado “para justificar a sua aquisição face ao seu enorme custo” – e deixou um recado: quem fala em “projectos que vão hipotecar as gerações futuras são os mesmos que decidiram comprar os submarinos cujo custo hipoteca [essas] gerações”.

A nível militar, o espanto não foi menor. “Em tese?”, interrogou-se um oficial, sob anonimato. “Em tese e na prática, qualquer chefe militar deve saber quais são as missões dos meios que vão ser recebidos”, sustentou a fonte. “Quando chegarem? Mas já se sabe, desde que se compraram, para que servem. No mínimo, para substituir os que foram abatidos (um ainda funciona, sabe Deus como…)”, adiantou.

O vice-almirante Reis Rodrigues disse ter a “certeza” que o CEMGFA “conhece os aspectos essenciais do emprego operacional de submarinos”. Como tal, “imagino que não faltarão oportunidades, proximamente, para deixar o assunto esclarecido e todos perceberem, de forma simples, o contributo que esses meios darão em termos de segurança”, sublinhou.

O general Loureiro dos Santos lembrou a posição de há anos sobre o tema: “Foi errada a prioridade atribuída à sua aquisição, em relação a outros equipamentos militares cuja necessidade é mais premente, no actual e previsível contexto estratégico do nosso país.”

Para o general Eduardo Silvestre, um crítico de Valença Pinto, “é absolutamente inconcebível que o CEMGFA, responsável primeiro pelo emprego operacional das Forças Armadas, esteja a aguardar a chegada dos submarinos para ‘procurar a melhor rendibilização e a melhor aplicação para eles'”. Acresce que “dá claramente a entender (…) que não concorda com a aquisição dos submarinos”.

Para o ministro Augusto Santos Silva, os submarinos são “uma capacidade de que a Marinha precisa para (…) desempenhar as funções que lhe estão cometidas”.

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